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Cristina Veiga: Lições De Uma Correspondente

Cristina Veiga: Lições de uma correspondente

A jornalista Cristina Veiga se encontra este final de semana com jornalistas do VIII Jornalismo Sem Fronteiras e reflete sobre suas experiências como correspondente.

A 8° edição do Jornalismo Sem Fronteiras levará jornalistas e estudantes de jornalismo à Buenos Aires para uma imersão na experiência como correspondentes internacionais. Do dia 04 ao dia 14 de julho, os participantes estarão inseridos em uma vivência intensa e imprevisível, perseguindo pautas, fontes e acontecimentos em um ambiente novo e desconhecido. Para auxiliar em sua preparação, o JSF convidou a jornalista Cristina Veiga, correspondente do Brasil para Rádio da Cidade de Buenos Aires e editora do portal Diálogo Chino, para uma conversa sobre os desafios de um correspondente internacional.

Logo no início do encontro, um traço chamava atenção dos participantes: Cristina Veiga é muito curiosa. Com olhar inquieto e jeito divertido, parece estar sempre pronta para ouvir e contar alguma história. Sua experiência, que passa por tantos países, veículos e plataformas, se traduz em uma carreira tão dinâmica e cheia de energia como ela. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás, Cristina não permaneceu no Estado por muito tempo. Seu ânimo e seu trabalho a levaram a Brasília, São Paulo e Buenos Aires como correspondente fixa, à Portugal, França, Congo, Suíça, Colômbia e tantos outros países em momentos diferentes como enviada especial.

Quando chegou à Buenos Aires, em 1987, enviada pela Folha de S. Paulo, não falava espanhol nem conhecia a cidade. A barreira da língua, que poderia ser um impeditivo, foi contornada pela determinação de Cristina em fazer um bom trabalho. Ao escolher acompanhar outros jornalistas que já trabalhavam em Buenos Aires, por exemplo, se situou em relação às pautas e ao contexto local. Em pouco tempo, a jornalista dominaria o espanhol e conheceria as dinâmicas daquela nova sociedade, em uma estadia marcada pela cobertura dos conturbados anos da redemocratização argentina.

Seu olhar curioso certamente foi fundamental durante a empreitada. Este estado de espírito inquieto e inquisidor levou Cristina Veiga a cobrir não apenas acontecimentos mainstream, mas também a investir em pautas que ainda não haviam virado história, como é o caso da então pouco comentada anorexia. Para ambos os casos, ensinou que é preciso aguçar o olhar para uma busca pelo diferente, pelo fato ou pelo ângulo que ainda não foi contado: “não adianta procurar o igual, o igual não é matéria”.

Aguçar o olhar para as nuances dos acontecimentos, no entanto, não basta a um correspondente, Cristina adverte. Se a função de um jornalista fora de seu país é de conectar duas realidades diferentes, então o tema das narrativas depende do interesse dos leitores. “Por que um brasileiro se interessaria por isso? Eu leria isso? Essa é a primeira pergunta que eu tenho que me fazer”, sugere.

“Quais pautas poderiam interessar ao público do Brasil no momento da viagem?”, perguntam os participantes. A jornalista tira de sua vivência argentina algumas indicações e sugere temas dos mais diversos. De cobertura econômica, com o novo pacote econômico de Mauricio Macri, à discussão sobre a legalização do aborto no Senado Nacional, Cristina Veiga tranquiliza: “a gente sempre acha pauta, depende do seu olhar e da sua curiosidade”.

Agora, basta esperar alguns dias, que, em breve, quem estarão contando histórias serão eles.

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