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Por Trás Do Modelo De Negócios Do Washington Post

Por trás do modelo de negócios do Washington Post

O Washington Post está seguindo a estratégia de dominação mundial de seu dono, Jeff Bezos, o fundador e CEO da Amazon.

Em contraste com a maioria dos jornais nos EUA e na Europa, o Washington Post está contratando jornalistas e engenheiros, investindo em novas tecnologias e expandindo-se para novos mercados. Bezos tem ambições globais para o Post.

Da mesma forma que ele construiu a Amazon, Bezos se comprometeu a absorver perdas financeiras a curto prazo de olho em ganhar participação de mercado a longo prazo. É uma estratégia que exige um proprietário com bolsos fundos.

O casamento perfeito?

Esse é o lado do negócio. A boa notícia para os jornalistas do Post é que seu premiado editor executivo, Marty Baron, e Bezos acreditam na importância de produzir jornalismo de alta qualidade que atenda às necessidades e desejos da comunidade do jornal.

Bezos acredita profundamente na criação de uma excelente experiência de usuário. O Wall Street Journal contou como Bezos respondeu à queixa de um leitor do Post que levava muito tempo para carregar as páginas do site. Ele enviou um e-mail para um editor digital, pressionando-o para conseguir que as páginas carregassem muito mais rapidamente, especialmente em celulares, que representam 70 por cento do tráfego do Post.

Bezos disse que seu objetivo era transformar o Washington Post de “um grande jornal local a um grande jornal nacional e global”.

Mais leitores pagando menos

Para alcançar esse objetivo, o modelo de negócios teve que mudar.

“Historicamente, fizemos uma quantidade relativamente grande de dinheiro por leitor com um número relativamente pequeno de leitores”, disse Bezos. “Precisamos em vez disso fazer uma quantidade relativamente pequena de dinheiro por leitor com um número muito maior de leitores.”

Como parte da nova estratégia, o Post está compartilhando seu conteúdo em tantas plataformas quanto possível, a partir do Facebook Instant Articles, onde está publicando todo o seu conteúdo, para o Twitter, LinkedIn, Snapchat, Tumblr, Tumblr, Google+ e Instagram.

Emilio García-Ruiz, editor-chefe do Post para o digital, explicou a estratégia em um discurso em uma conferência de jornalismo na Espanha. A ideia é fazer com que o maior número possível de pessoas provem seu produto (no jornalismo, é através do compartilhamento em redes sociais), levá-los a pagar por um produto e, em seguida, torná-los compradores de produtos de maior valor. Em cada estágio o pool de clientes é menor, mas gastando mais.

A chave em matéria de negócio, disse Garcia-Ruiz, é manter a expansão desse pool no topo do funil, assim como a Amazon tem feito. E do ponto de vista do jornalismo, a chave é combinar o melhor jornalismo com a melhor tecnologia para fazer as pessoas retornarem.

Alvo: New York Times

Os resultados até agora têm sido impressionantes, baseados em métricas de web tradicionais. O Post ultrapassou o New York Times em usuários únicos pela primeira vez de outubro a dezembro de 2015 antes que o Times recuperasse seu domínio.

A questão é se isso se traduziu em resultados de negócios. Como o Post é uma empresa privada, não publica seus dados financeiros. Um executivo de marketing do jornal disse ao Digiday que as assinaturas digitais cresceram 145 por cento em um ano, mas não deram resultados financeiros específicos.

Empregar, não demitir

A transformação do Post em uma publicação principalmente digital está sendo promovida por Bezos e Baron com um senso de urgência. Os maiores jornais diários do país vêm perdendo assinantes do produto impresso a uma taxa mais acentuada.

Ao mesmo tempo, esses diários reduziram 20.000 jornalistas de suas folhas de pagamento — mais de um terço — nos últimos 20 anos. Em contraste, o Post, desde a chegada de Bezos, acrescentou 100 jornalistas, para um total de 700, e 35 engenheiros. Esta é uma das vantagens de ser uma empresa privada que não precisa responder às demandas do mercado financeiro.

Em uma reunião pública com os jornalistas do Post, Bezos explicou que seu objetivo é usar a tecnologia para conhecer melhor os leitores e usar essa informação para melhor atendê-los. “Para ser o jornal de referência precisamos de talento, dinheiro e paciência, e temos todos os três”, disse ele.

O futuro é digital

Em vários fóruns e entrevistas, Baron elogiou Bezos por sua visão e seu respeito pela independência da redação do jornal. Baron conversa com Bezos por uma hora por telefone a cada duas semanas e os principais editores viajam para a sede da Amazon, em Seattle, para uma reunião a cada seis meses.

Enquanto Bezos não interfere nas decisões da redação, ele faz com que os editores encontrem maneiras de fazer com que os leitores cliquem e leiam as investigações aprofundadas do artigo. Como resultado, Baron mudou algumas das táticas para produzir e distribuir conteúdo editorial.

No momento, isso parece uma relação de lua-de-mel: um bilionário resgata uma marca de jornal de um desastre financeiro e investe em novas tecnologias para que possa competir no novo mundo do jornalismo digital. Como com cada casamento, a questão é quanto tempo a lua de mel vai durar e o que vem depois.

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Imagem principal sob licença CC no Flickr via silvia. Imagem secundária de Jeff Bezos sob licença CC no by Flickr via NASA Kennedy

 

Fonte: IJNet

Por: James Breiner

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