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Perspectivas da população sem Kirchner

 

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Em 2015, serão realizadas as eleições presidenciais argentinas. Sem a possibilidade de nova reeleição para Cristina Kirchner, o país enfrentará uma nova fase.

Camila Alvarenga

            Após a tentativa fracassada de mudar a Carta Magna de seu país, em 2013, Cristina Kirchner ficou oficialmente fora da candidatura à presidência. A Constituição argentina proíbe duas reeleições seguidas (foi eleita em 2007 e reeleita em 2011) e, para ocorrer uma mudança constitucional, é necessário o apoio de dois terços da Câmara dos Deputados e do Senado, o que a presidente não teve.

Apesar debem aceitas pela população, a popularidade de Cristina segue diminuindo, principalmente após a descoberta de um esquema de corrupção no qual estava envolvido seu vice-presidente, Amado Boudou. A isso se somam a dura recessão pelo qual passou o país, a inflação crescente e a distorção dos dados oficiais correspondentes à economia.

Segundo Leonardo Mindez, jornalista do diário argentino Clarín (que se opõe abertamente à presidente), a permanência do kirchnerismo há 12 anos no poder também contribuiu para seu desgaste. Acredita que, como Néstor e Cristina não escolheram e prepararam um sucessor que pudesse levar a cabo suas propostas, é inevitável que haja uma mudança política no governo.

Outros acreditam que Cristina apenas precisa se “reciclar” para tentar uma reeleição em 2019. A agrupação Cámpora, uma espécie de continuação da Juventude Peronista, fundada por Néstor Kirchner, em 2006, foi beneficiada com a concessão de diversos cargos públicos por parte da atual presidente. Segundo funcionários da justiça de Buenos Aires, por causa desse favorecimento, o grupo dará suporte para que ela tente se reeleger.

Além disso, devido à grande quantidade de partidos e candidatos, ainda não surgiu uma figura popular e forte o suficiente, do ponto de vista político, que possa ofuscar Cristina. Tampouco que faça grandes críticas ao seu governo, papel adotado especialmente pelo jornal Clarín. Porém, como declarou o consultor e sociólogo Ricardo Rouvier, “Nenhum diário pode determinar uma eleição”.

Os três candidatos mais fortes na disputa pela presidência são o oposicionista Sergio Massa, do partido Frente Renovadora e chefe de governo da província do Tigre; Daniel Scioli, aliado da presidenta; e Maurício Macri, também de oposição, do partido Proposta Republicana e prefeito de Buenos Aires. Estes prometem acatar às principais exigências da população, como disse Leonardo Mindez. Estas são: maior respeito às instituições governamentais, focado para os três poderes, visto que o Executivo está se sobrepondo ao Legislativo e ao Judiciário; e mais segurança, principalmente.

Para os pró-Kirchner, que acreditam numa possível reeleição em 2019, a vitória da oposição é perigosa, por um lado: pode significar a formação proposital de mais uma bolha econômica, no que diz respeito ao pagamento da dívida externa, que estouraria convenientemente no colo de Cristina quando hipoteticamente reassumisse a presidência, o que acabaria em descrédito total da atual presidenta. Por outro, a adoção de medidas totalmente diferentes podem não dar resultado, sem mencionar que dificilmente o eleito conseguirá ser tão popular quanto foi Cristina. Para os contra Kirchner, a vitória da oposição kirchnerista poderia significar o fim da recessão.

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