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Manifestações Marcam O Seminário Mulheres No Poder

Manifestações marcam o seminário Mulheres no Poder

Falta de diversidade entre as participantes foi alvo de crítica

THAÍS NASCIMENTO
DE BRASÍLIA

Quando iniciou a carreira política, nos anos 80, Marta Suplicy não poderia imaginar que viria de outras mulheres as maiores críticas que sofreria. Foi assim no primeiro dia do seminário Mulheres no Poder, no Senado. A mudança de partido e o voto a favor da PEC 55 não foram esquecidos. A peemedebista foi hostilizada e chamada de golpista e traíra.

Na plateia, o grito acalorado de uma jovem em direção à senadora chama atenção. É Thayná Wine, 20, universitária e moradora de Osasco, o quarto munícipio mais violento da região metropolitana de São Paulo. Até a chegada em Brasília foram mais de mil quilômetros de estrada. Para a jovem, o seminário seria uma oportunidade para transformar a realidade, mas ficou decepcionada. “Eu fico muito feliz em ver tantas mulheres do povo mas não me senti representada. Não sou branca, rica. Não me vejo sentada naquela cadeira porque sou totalmente diferente das mulheres que estão ali”, disse a jovem.

Cerca de 400 mulheres participam do seminário. Foto por: Pedro França / Agência Senado

A deputada Benedita da Silva, que não foi convidada para o evento, também falou sobre a pouca diversidade na política. “Sempre que falamos sobre mulheres negras somos menos de 1%. Até pouco tempo eu era a única dentro do Congresso Nacional. E de lá para cá mudou muito pouco.”

Apesar das críticas, houve quem se destacasse. Mônica Sousa, filha de Maurício de Sousa e inspiração para a personagem dos quadrinhos do pai, foi uma das mais aplaudidas. Mônica falou da parceria com a ONU Mulheres, que realizou oficinas com a equipe de roteiristas envolvida em seu projeto Donas da Rua, de empoderamento de meninas. A diretora-executiva falou dos dez fundamentos do projeto envolvem: empoderamento, identidade, igualdade de direitos, educação de qualidade, oportunidades, autoestima, segurança das meninas, direito à proteção e acesso a esportes e serviços de saúde.

Dilma Rousseff, que não estava presente, também foi bastante celebrada. Entre os gritos de Dilma guerreira da força brasileira, sua atuação política foi citada por várias parlamentares. Depois, o público cantou Parabéns para você por conta do aniversário de 69 anos da ex-presidente, comemorado no dia do evento.

 

Thaís Nascimento é jornalista e participa do programa “Jornalismo & Poder”, que leva jornalistas e estudantes de comunicação a Brasília para uma imersão de uma semana na cobertura política.

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