skip to Main Content
Entre em contato: +55 11 95133-2600

ESMA: o antigo centro de tortura não é mais o mesmo

ESMA-o-antigo-centro-de-tortura-nao-e-mais-o-mesmo

Diego Moura e Elisa Espósito

DE BUENOS AIRES, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Paredes mofadas, pintura descascada, abafamento. Um cheiro de morte. São essas as sensações que se tem ao ingressar pelas dependências do “casino de oficiales”, complexo de celas, quartos e câmaras de tortura que funcionavam na Escola de Mecânica da Armada (ESMA), em Buenos Aires, na última ditadura civil-militar que assolou a Argentina entre os anos de 1976 e 1983. Detém a marca de maior centro de detenção clandestina do país na época, e estima-se que mais de cinco mil pessoas, “desaparecidas”, foram exterminadas sob os olhares – ou com a participação – dos oficiais militares na instituição. Felizmente, a ESMA não é mais a mesma. No lugar do campo de concentração, hoje, temos um complexo de museus, dentre eles o Museu da Memória. Um memorial para que os feitos praticados ali não sejam esquecidos e não voltem a se repetir.

 

O ingresso na parte interna do prédio, onde funcionava o aparato de repressão, só se dá com agendamento. Com um guia, a visita é planejada e formatada de maneira a atender as necessidades de cada grupo. Neste  caso, uma guia. Anabela. De roupas escuras – saia, blusa e meias-calças pretas, com pequenas estampas de flores – cabelos encaracolados e pele muito branca, já avisa ao grupo que não é permitido fotografar dentro da construção por determinação do juiz que cuida de casos ainda em trâmite pela Justiça argentina.

Com relação ao complexo onde funcionava a ESMA, um acordo entre o governo federal e a prefeitura de Buenos Aires determinou a desocupação de toda a área –pertencente às Forças Armadas – e a criação de um espaço destinado à reflexão e promoção dos Direito Humanos. O pacto foi firmado no dia 24 de março de 2004, data do 28º aniversário do golpe militar.

As desaparições, constantes, faziam parte de um plano de total extermínio físico dos opositores. Não se perdoava nenhum “potencial inimigo”, atingindo desde guerrilheiros a políticos, estudantes, escritores, dirigentes e ativistas sindicais, até membros do próprio governo militar, como o embaixador na Venezuela Hidalgo Solá ou empresários como Fernando Branca, assassinado pelo seu sócio Emílio Eduardo Massera (membro da junta militar que governou o país), que também comandava o centro clandestino ESMA. Massera foi julgado e condenado à prisão perpétua em 1985 e depois indultado pelo governo de Carlos Menem, na década de 1990.

 

Entre os períodos 1976 a 1983, apenas uma centena sobreviveu aos andares gélidos que hoje são facilmente cruzados por uma visita guiada. Iniciamos o trajeto pela portaria do complexo – a ESMA é apenas uma entre várias instituições dedicadas à memória nacional que funcionam no espaço, há centro cultural, construção em memória às Mães da Praça de Maio, um museu bastante engajado sobre a guerra das Malvinas etc.. Ao longo das ruas largas que margeiam os prédios, podem ser observadas mensagens de cunho político e de apoio à causa dos desaparecidos políticos; são vários os prédios cheios de materiais de construção, indicativos de uma reforma em curso.

No grupo de visitas, cerca de 20 estudantes dos Estados Unidos, com seu professor, em busca de melhorar seus conhecimentos geopolíticos, históricos e linguísticos. Ironicamente, é uma oportunidade para que eles conheçam detalhes sobre o papel que sua terra natal desempenhou nos anos de chumbo que tiraram a cor da vida de milhões de pessoas por toda a América Latina.

Na porta do casino

 O grupo caminha e para próximo à porta. “Esse edifício sofreu várias modificações ao longo do tempo”, conta Anabela. Os militares adaptavam as instalações conforme suas necessidades: onde em 1979 funcionava algo, no ano seguinte, poderia ser completamente transmutado.

Os presos eram levados encapuzados à entrada, antes uma galeria aberta, e ingressavam no prédio. Em geral, de início se encaminhavam para o porão, onde havia celas e uma sala de tortura. Hoje, os espaços são como galpões vazios – não há mais as divisões de celas e salas, por exemplo – entretanto, o mais difícil foi conservado: o clima de terror e angústia que pesa sobre cada um que entra naqueles lugares. O silêncio mortal só é cortado pela voz corrida da guia, despejando a história em nossas cabeças. Sem piedade. “Há cerca de 200 metros daqui funcionava uma escola secundária”, conta. Através das grades verdes se observa o prédio antigo, testemunha de um tempo que já passou.

Para abafar os gritos em momentos de tortura e evitar que os gritos dos supliciados vazassem para o bairro eminentemente residencial, os militares responsáveis pelos torturados colocavam música em um volume insuportável. O som tão alto ainda servia como mais uma forma de torturar. “Esse lugar foi reconhecido por vários testemunhos de sobreviventes”, Anabela segue a história. “Mas se eles já chegavam aqui encapuzados como reconheceram o caminho”, pergunta uma das estudantes americanas. A guia não vacila. “Eles reconheciam pelo trajeto que o carro fazia, quantas vezes virava, etc.. Vamos entrar?.” Imediatamente, o grupo se dirige às portas e inicia a entrada no Casino de Oficiales.

Uma jornada pelo círculos do inferno 

A visita encabeça os vários setores do casino. O prédio austero, que lembra um pavilhão do antigo presídio Carandiru, em São Paulo, é composto pelo Salão Dourado, porão, dois andares de dormitórios dos oficiais, maternidade, capucha e capuchita.

O trajeto pelas vísceras do prédio começa no Salão Dourado, local de “gala”, onde os militares realizavam cerimônias oficiais. De lá, seguimos direto para o porão. Anteriormente, havia uma escada que ligava o átrio em frente ao Salão Dourado às dependências úmidas, abafadas e mofadas do porão. Entretanto, ela foi coberta por uma peça de madeira.

No primeiro e segundo andares estavam os dormitórios dos militares, onde pernoitavam mais de 60 homens. A existência de torturados e torturadores juntos, em um centro clandestino, foi exclusiva da ESMA, o que facilitava também disfarçar o local como apenas uma habitação da armada. Muitos diziam não saber do que acontecia no porão. Ao caminhar pelos andares e, tomando com base a distância de apenas dois andares, fica evidente que tal afirmação não se sustenta. Seria impossível não escutar nada.

O porão era o primeiro ponto de passagem dos sequestrados, onde eram interrogados e sofriam vários tipos de torturas. De imediato, recebiam um número que seria seu novo nome. “A desumanização era utilizada para tornar a tortura massificada e não personificada, o que facilitava o trabalho dos senhores da vida e da morte”, prossegue Anabela.

Os métodos de agressão mais comuns eram choques, o “submarino seco” (asfixia com saco plástico), o “submarino molhado” (asfixia com imersão), tapas, socos, chutes e pauladas, além de simulações de fuzilamento. A vítima era mantida encapuzada ou com os olhos vendados e ia arrastada. Também havia um escritório de falsificação e tradução de documentos, além de um local para a elaboração de textos pró-militares. O trabalho escravo, por incrível que pareça, significava uma melhora de condição de vida: trabalhos “intelectuais” ou de limpeza, poderiam significar viver mais um dia. E mais um. E outro.

Após quase meia hora com o peso da escuridão nas costas, ouvindo as explicações e informações no porão, seguimos para o terceiro andar. Era para lá que as vítimas eram levadas na sequência e deixadas algemadas e encapuzadas, às vezes amarradas a bolas de 25 quilos, sempre deitadas. O local ganhou o nome de capucha, capuz em espanhol. Ao longo do caminho são vários totens com depoimentos de sobreviventes. Lila Pastoriza, de 84 anos, diz que “estar em capucha é estar sem se mover, sem ver, sem falar, sem saber quem dará a golpeada e como se defender”.

Da capucha os sequestrados eram levados à capuchita. Nesse espaço se iniciava uma das práticas mais macabras da ditadura argentina: os voos da morte. Sempre às terças-feiras, os selecionados para o “traslado” recebiam uma injeção de pentotal, um forte anestésico; diziam-lhes que eram anticorpos e vitaminas. “Os sequestrados, então, eram transportados em caminhões e embarcados em aviões da Marinha de onde eram atirados, ainda com vida, sobre a foz do Rio da Prata ou em mar aberto”, prossegue Anabela. Muitos corpos eram trazidos pela maré e identificados. Estima-se que 2.500 prisioneiros da ESMA tenham sido mortos desta forma. Para completar, no mesmo piso da capuchita funcionava – e ainda hoje funciona – a distribuição de água para o prédio. O gotejar incessante, o teto baixo, a exposição às variações térmicas e às incertezas sobre o futuro contribuíam para aumentar o pânico daqueles que eram levados para lá. O barulho da água corrente e pingada ajudou muitos sobreviventes a identificarem o local pelo qual passaram.

De lá, Anabela nos convida a descer em direção à maternidade. Em uma minúscula sala, funcionava o lugar onde as mulheres grávidas davam à luz e recebiam algum tipo de acompanhamento médico, em meio aos gritos de torturados, gemidos das companheiras grávidas e músicas em alto volume. Após terem seus bebês, escreviam cartas aos familiares com instruções sobre o destino das crianças. Com a mão que os militares pegavam as cartas, roubavam seus filhos: eram entregues a famílias diretamente ligadas ao governo ou a simpatizantes da ditadura. As mulheres, quase sempre, eram mortas, ou mantidas vivas apenas quando havia uma complicação na gravidez.

Com gravidade, a guia se despede de seu grupo com uma mensagem muito dura: os sobreviventes serviam como emissários do terror, divulgando tudo o que ocorria ali.  Eram dispensados de acordo com sua “obediência e envolvimento de crime”, conforme os militares afirmavam. Porém, para surpresa dos  agressores, muitos serviam também como fonte de informação sobre os desaparecidos, pois sabiam o paradeiros dos que se encontravam na ESMA e dos que já não estavam mais entre os vivos. De certa forma, os presentes nesta visita macabra também são “emissários do terror”, para o não esquecimento e o nunca mais. E, a partir desse pensamento, viaja-se agora para o outro lado de Buenos Aires: da monumental Escola de Mecânica da Armada para um simpático predinho em Belgrano, antigo, com elevador pantográfico e pé direito alto, onde funciona a sede das Abuelas de Plaza de Mayo.

“Com vida os levaram, com vida os queremos”

Pense que sua vida toda é uma mentira. De um dia para o outro, você descobre que seus pais, supostamente cuidadores e responsáveis por seu bem estar, na verdade, não são seus pais; pior: podem estar envolvidos no desaparecimento e na morte dos verdadeiros pais. Essa foi a realidade de mais de 100 pessoas as quais descobriram a mentira que sua vida representava, um encobrimento da verdade individual e coletiva.

Calcula-se que cerca de 500 recém-nascidos foram levados da ESMA e de outros locais de tortura. E é aí que entram as figuras das Abuelas de Plaza de Mayo, que lutam para encontrar os netos perdidos – já conseguiram identificar 103 pessoas.

Buscarita Roa, chilena e tesoureira da instituição, procurava três pessoas: o filho, a nora e a neta. Descobriu que haviam desaparecido no centro clandestino de tortura El Olimpo, operado dentro do setor de automóveis da Polícia Federal argentina. “Já na ditadura que houve aqui em 1962 começaram a desaparecer muitos jovens”, conta a pequena senhora. Na Argentina houve mais de uma ditadura. “Também começaram a desaparecer muita gente de outros países que viviam aqui, muitos jovens, muitos estudantes, trabalhadores. Uma coisa muito estranha. Não foi matar e matar na frente de todo o mundo; matavam ocultamente. Os atiravam ao mar, os atiravam ao rio ou os queimavam.”

A partir desse momento, se formou um grupo de mães que saíram à Praça de Maio para buscar seus filhos. “Houve muita repressão”, prossegue. “Desapareceram as primeiras mães.” E, segundo Buscarita, a igreja Católica teve um papel fundamental de colaboração com as desaparições.

“Então, se deram conta de que haviam levado bebês também, [além de] casais muito jovens com seus filhinhos pequenos e jovens grávidas.” As mães começaram seu protesto. Ficavam concentradas na Praça de Maio, até que os policiais disseram que precisavam “circular”, afinal havia uma lei em vigor que impedia as pessoas de ficarem paradas no mesmo lugar por mais de cinco minutos conversando. Nesse momento, as madres, literalmente, se puseram a circular, dando voltas pela praça. “Foram até uma igreja chamada da Santa Cruz, apareceu um militar muito jovem e as delatou. Essas mães morreram. Mataram-nas.”

Isso serviu de combustível para que outras mães seguissem buscando seus filhos. E os filhos de seus filhos. “Eles as levavam [as mulheres grávidas] para centros clandestinos, os tiraram das mães e os repartiram entre militares que não tinham filhos, enfermeiras, médicos. Repartiam-nos como se fossem gatinhos ou cachorrinhos”, suspira fundo Buscarita. Procura força para concluir. “E os pais, os mataram.”

“Quando não gostavam ou não os achavam bonitos, os levavam a orfanatos”, explica. Jorge Rafael Videla, ditador argentino entre os anos 1976 e 1981 – e morto em 2013 – foi o criador desse tipo de organização. “Nessa casa levavam as crianças que eles não queriam, para serem adotados. Havia gente de boa fé, que não sabia de onde vinham [as crianças]. Havia gente que não era de boa fé, que sabia de onde vinham, e, mesmo assim, os adotavam.”

Mesmo antes de ocorrer essa “barbárie”, as mães enviaram correspondência ao ministério da Justiça, denunciando as práticas desumanas ocorridas sob os auspícios e bênçãos do Estado argentino. “Jogaram na lata do lixo. Essas cartas nunca chegaram”, se indigna Buscarita. “Todas as voltas, todas as visitas às delegacias, aos tribunais, nesse tempo, de nada valia.”

As voltas dadas pelas mães na Praça de Maio passara a ser acompanhadas pela imprensa estrangeira de lugares que não estavam implicados com ditaduras – o que não era o caso do Brasil, do Uruguai, do Chile, do Paraguai. Majoritariamente jornalistas europeus pisavam em Buenos Aires. “Eram eles que difundiam lá fora o que estava acontecendo nesse país”, relembra a abuela.

Somente com a chegada do período da democracia, na figura do presidente Raúl Alfonsín, as mães puderam relatar sem medo suas histórias aos jornalistas. “Eram muito diferentes, porque algumas mães haviam perdido um filho, outras dois, outras seis.”

Tios, irmãos, mães, avós, familiares. Esses foram os vários grupos que se formaram ao longo do anos para buscar os desaparecidos. “Onde estão nossos desaparecidos?” Nunca houve respostas.

A partir de 22 de outubro de 1977, as abuelas e as madres começam a trilhar caminhos diferentes, mas paralelos. As senhoras que buscavam seus netos não tinham muita clareza sobre como se daria sua atuação: se recebiam uma denúncia de que um casal adotara uma criança, propunham que fossem ver a criança, quem sabe, se passando por uma vendedora de livros, para que abrissem as portas, ou trabalhar de doméstica. Entretanto, esse trabalho de mostrou infrutífero, pois as eventuais descobertas não podiam ser comprovadas.

“Começamos a viajar a outros países para ver se havia alguém que podia nos dar uma mão, ajudar. Tampouco sabíamos como pedir a essa gente, se não eram daqui, se não falavam o mesmo idioma. É muito difícil”, recorda-se Buscarita. Resolveram transmitir as histórias aos exilados argentinos e descobriram um geneticista que apresentou às mulheres um método muito eficiente e seguro de descobrir se há ou não parentesco entre as pessoas: um exame de DNA, comparando o material genético do parente em questão com o “neto”. É dessa maneira que nasce um banco de dados nacional, no hospital Durand, em Buenos Aires, com os materiais genéticos dos familiares de desaparecidos. Se há alguma suspeita, basta extrair uma pequena amostra de sangue e compará-la. A Justiça, depois de muito resistir, já no período democrático, passou a colaborar com as avós. “Assim eu pude encontrar minha neta”, lembra Buscarita, com um brilho nos olhos tão especial quanto de alguém que ganha um presente de valor incalculável.

“Abuela, yo te amo”

O trabalho de investigação, agora levado a cabo pela Justiça, contava com um fator importante: denúncias. Além de suspeitas que relacionavam as datas (pessoas nascidas entre as duas últimas ditaduras e tinham dúvidas sobre sua identidade) ou de gente que sabia de gravidezes na prisão e conseguiu sair e alertar de que, ali, havia sumido uma criança. As abuelas contavam com uma equipe de advogados, psicólogos, antropólogos que, a princípio, não cobravam; a partir da reestruturação do grupo e de um apoio financeiro vindo do governo de Néstor Kirchner (2003 – 2007), a instituição passou a remunerar esses profissionais. Novelas, filmes e artistas, da Argentina, da Europa e dos EUA também fizeram muitos projetos para apoiar financeiramente as avós.

Com base nesses trabalhos, as abuelas seguiram à procura e encontrando os netos. Mesmo assim, o choque ao receber uma nova identidade era grande. “O mundo vem abaixo”, explica Buscarita. Ela nos convida para um exercício mental: pensar no que faríamos ao descobrir que nossa vida era uma grande mentira.

A primeira reação é negar a verdadeira identidade. Entretanto com mais tempo – e muita paciência da verdadeira família – a ideia começa a ficar mais palatável. “E se tem uma avó, melhor. Porque pode dizer: ‘eu gostaria de conversar com você um pouco mais; por que não vai na minha casa? O que você gosta de comer?’. E então vai tomando consciência e pensa: ‘tem algo aqui que na minha casa não tinha; tanto amor!’.”

“Eu encontrei minha neta quando ela tinha 22 anos. Foi criada por uma família de militares, que mudou seu nome, seu sobrenome, data de nascimento. Então, quando a encontrei, ela não queria saber nada”, lembra Buscarita. À medida que conta sua história, seus olhos ficam rasos de emoção. O tio da garota passou a buscá-la na universidade e tentava um diálogo. “Até que um dia, foi vencida pelo cansaço. Foram a um café, e ela disse: ‘eu sei que é verdade tudo o que você diz, mas me custa a aceitar; quero saber como era minha mãe e meu pai, o que eles faziam’. Até que um dia meu filho entregou um pacote com fotos”, viu uma foto em que sua mãe a amamentava e seu pai a banhava.

“Não é fácil”, diz com a voz embargada. “Passaram cinco anos até que pudemos nos dar um abraço forte.” Levanta de supetão e vai até a estante em frente à sua mesa e mostra dois porta-retratos. “Essa é a bebê que levaram”, apontando para a foto de uma moça loira, nova e com um grande labrador aos pés. “Hoje, já se casou e teve dois bebês.”

Os apropriadores foram presos. “Estavam muito tranquilos”, lembra Buscarita. Sua neta só rompeu definitivamente com eles quando teve sua primeira filha. “Eu buscava os três, mas encontrei minha neta. Nada mais. Todos temos que saber quem somos. Minha neta um dia me disse: ‘abuela, eu te amo. Obrigada por ter me encontrado. É assim que é a vida e a história das Abuelas.

Diego Moura e Elisa Espósito são jornalistas e participam do “Jornalismo Sem Fronteiras”, iniciativa da Link Consultoria que leva jornalistas e estudantes de comunicação a Buenos Aires para um mergulho de uma semana no trabalho de correspondentes.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *