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400 km e 32 anos sem reconhecimento

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Cristina Kirchner reivindica a soberania sobre as ilhas Malvinas, mas não reconhece os veteranos que, 32 anos atrás, lutaram por elas.

Camila Alvarenga


6257-300x213    No dia 14 de junho deste ano, celebrou-se os 32 anos da Guerra das Malvinas. O fim da guerra, no entanto, não significou o fim do conflito. A Argentina ainda reivindica sua soberania: a presidente Cristina Kirchner anunciou em seu discurso no Conselho de Segurança da ONU, no ano passado, que quer voltar a discutir a questão com a Grã-Bretanha, como estipulado pela resolução das próprias Nações Unidas, em 1965.

Entretanto, a vontade dos kelpers, habitantes das ilhas, não é levada em consideração por Kirchner: plebiscito feito em 2013, indicou que 99,8% da população quer continuar falklander (sob domínio da Inglaterra). Além disso, contraditoriamente, há veteranos que sequer recebem o reconhecimento que merecem. Esses homens não são considerados soldados porque não se engajaram em combate direto nas ilhas. Mas participaram de um teatro de operações no continente e foram expostos a riscos, o suficiente, do ponto de vista legal, segundo afirmam, para serem considerados combatentes.

 

Em entrevista, o presidente do acampamento Teatro de Operaciones del Atlántico Sur (T.O.A.S.), Tulio Fraboschi, contou um pouco sobre o protesto dos veteranos, localizados na Plaza de Mayo, Buenos Aires, desde 2007. Explicou que reivindicam a oficialização daquilo que, legalmente, já foi resolvido, “Somos veteranos em qualquer lugar do mundo. O que falta é que o governo diga: ‘Senhores, obrigado por terem participado do conflito com dezoito anos, aqui está uma medalha do Congresso [Nacional]’. É isso”.IMG_1187-300x200

Em frente ao acampamento há uma reprodução de uma parte do cemitério dos caídos nas Malvinas, no qual constam dezessete tumbas de soldados mortos defendendo o litoral patagônico. Estes foram considerados heróis nacionais e homenageados juntamente com todos os outros combatentes. Mas, para receber tal homenagem, é preciso obrigatoriamente ser um combatente. Essa é a maior contradição, disse Túlio. “Se eles foram considerados soldados e eram da minha unidade, então eu sou soldado!”.

Os veteranos não reconhecidos lutaram na costa da Patagônia, nas províncias de Chubut, Santa Cruz e Terra do Fogo; defendendo todo o sistema de manutenção e posse de explosivos e armas, além dos aeroportos. Por conter aviões que atacariam a frota britânica, as bases corriam risco, visto que um dos principais objetivos da Grã-Bretanha era neutralizar o poderio aéreo argentino. Ex- pilotos dos helicópteros Sea King britânicos revelaram que aproximadamente dez helicópteros operaram no continente, com vinte ou trinta homens cada um, sabotando as bases, matando os pilotos, gerando um caos naquilo que eles consideravam sua maior ameaça.

Somente depois de quatro anos desde o estabelecimento do acampamento, conseguiram as informações que validam sua causa. Hoje, já estão em posse das Forças Armadas argentinas e do Estado, o governo e Ministério da Defesa. A demora em entregar-lhes seu reconhecimento é explicada por Túlio Fraboschi como um problema do Estado Nacional e não de um governo em específico, “Todos os governos nos abandonaram”. Fortaleceu sua causa o apoio de órgãos de ex- combatentes internacionais, como o A.R.A.C. da França (Association Républicaine des Anciens Combattants et Victimes de Guerre de la Marne) e a ajuda de Néstor Kirchner, quando ainda estava vivo, que reconheceu a importância do movimento e admitiu a existência de um problema não resolvido. Com isso, disse Túlio, um diálogo foi estabelecido, “Creio que a situação se resolverá em breve”.

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A decisão de Cristina Kirchner em retomar as ilhas é algo que, geograficamente, não está em discussão: as ilhas estão a 400 quilômetros da costa argentina, dentro de sua plataforma continental. Sobre isso, Túlio é categórico, “Que autoridade moral tem o Estado argentino de reclamar as ilhas se não reconhece aqueles que as foram defender?”. Mas ainda acrescentou, “É injusto termos lutado pelas ilhas e não as termos, mas valorizo mais as vidas dos britânicos e as nossas do que as ilhas”.

As provocações trocadas entre David Cameron, primeiro-ministro britânico, e a presidente argentina  parecem-lhe sem sentido. A disputa é mais uma questão de orgulho do que interesse geopolítico pelas Malvinas, cujos recursos naturais são escassos e de cara manutenção. “O desafio me parece uma estupidez”, fez questão de afirmar Túlio, e ainda explicou, “Acho que tem de haver um debate diplomático. A guerra não é a solução, não vale a vida de nenhuma pessoa, os britânicos são meus irmãos como qualquer pessoa do mundo. A solução não é matar gente

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