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Com Os Pés Frios

Com os pés frios

LUIZ TEIXEIRA, DE MADRI

A temperatura mínima prevista para Madrid no dia 18/01 era de -5º C, o mais frio que enfrentamos desde que chegamos à cidade. Já o clima do Real Madrid deve ter começado a esquentar após a derrota para o Sevilla por 2×1, no domingo (15), que marcou o primeiro revés desde que Zinedine Zidane assumiu o comando técnico do time, há mais de um ano.
O jogo desta quarta contra o Celta de Vigo, válido pela Copa do Rey, no Santiago Bernabéu, poderia esfriar uma crise antes de ela começar a tomar forma de vez. Zidane já havia sido cobrado sobre o goleiro Keylor Navas, por exemplo, tendo que responder que “se ficamos 40 jogos sem perder é por algum motivo e ele estava nas partidas” em coletiva de imprensa. De qualquer sorte, eu e Jack estávamos esperando um bom jogo e não congelar os dedos.
Uma de nossas expectativas foi atendida assim que sentamos nas cadeiras geladas de plástico: estava muito frio. O jogo aconteceu a uma temperatura média de 1º, mas a sensação estava negativa facilmente. Aprendemos que os espanhóis já sabem como se comportar nesse tipo de ocasião, já que foi comum ver pessoas com mantas e cobertores sobre as pernas. Um homem, inclusive, havia se enrolado como um burrito para não ter que sentar em cima do plástico.

Outra coisa que eles já haviam planejado antecipadamente: levar comida de casa. No intervalo do jogo, quase ninguém foi comprar lanche dentro do estádio, com boa parte deles sacando um sanduíche enrolado em papel laminado. Isso mesmo no lugar em que estávamos, que não era dos mais baratos do estádio. Inclusive, estes eram os únicos que estavam completamente lotados, com alguns clarões aparecendo nas arquibancadas mais caras.
Os gols só saíram no segundo tempo e demos a sorte de dois deles acontecerem no lado do campo onde estávamos. Pena que foram os tentos dos visitantes, que ganharam a partida por 2×1 e aumentaram a crise no Real Madrid, como já estampou a Agência EFE: “El Celta empuja al Real Madrid de la racha al bache”. Pelo menos pudemos ter o bairrismo de comemorar o gol de Marcelo para os donos da casa.
Na saída , observamos ainda como o a equipe madrilenha é globalizada: muitos turistas deixando o Santiago Bernabéu. Ouvimos mais pessoas falando em inglês do que em espanhol nas ruas a caminho de casa. A essa altura, a temperatura já era de -1º e o frio nos impelia para casa. Nossos pés e pernas estavam tão frios que estavam adormecendo, de forma que demos um trote para nos esquentar. Ninguém na rua pareceu nos julgar muito por isso.

ps: sobre a partida em si, Zidane tentou preservar Navas e entrou em campo com o goleiro reserva, Kiko Casilla, que não teve culpa nos gols do Celta; o brasileiro Danilo jogou muito mal e foi vaiado quando foi substituído no segundo tempo; Casemiro e Marcelo têm uma importância tática absurda dentro de campo; Cristiano Ronaldo não foi muito acionado e não fez nada em campo que justificasse a mística do melhor jogador do mundo.

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