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Aventuras E Lições De Uma Correspondente

Aventuras e lições de uma correspondente

LARISSA ALBUQUERQUE

BUENOS AIRES

Memórias e reflexões de Mônica Yanequiew, experiente jornalista e correspondente

Mônica Yanequiew, jornalista com uma vasta carreira como correspondente. Com pouco mais de 20 anos de carreira, a profissional já cobriu o Oriente Médio, América Latina, principalmente Buenos Aires, e Washington. Atualmente ela é correspondente freelancer em Buenos Aires e escreve para todo o mundo. 

A correspondente começou sendo um “quebra galho” Depois de alguns anos de experiência apenas como jornalista, a “jogaram” para cobrir Buenos Aires, pois não havia profissional para o trabalho. Isso porque acharam que ela tinha relações (amorosas) no  país que, na verdade, já haviam sido cortadas. Mesmo assim ela foi. Esse acaso mudou a vida da profissional, e a tornou uma das maiores correspondentes do Brasil. 

Podemos definir Mônica como uma grande contadoras de histórias. Até porque, com uma bagagem repletas de diferentes lugares e acontecimento não poderia ser diferente. 

Contato Direto

Uma de suas coberturas foi na União Soviética (na época, o país Georgia acabara de declarar independência da URSS). Mônica precisava entrar no território de Georgia por helicópteros russos e para isso precisava se comunicar com um general soviético, mas ele falava um idioma que ela não dominava na época. A jornalista ficou dependente de um tradutor. Essa dependência a limitou, pois o fixer não traduzia as coisas que a correspondente pedia. O general não autorizava a entrada da jornalista do Brasil e o tradutor não queria insistir na situação, se dava por vencido. Mas Mônica não, mesmo sem o contato direto com o militar, ela conseguiu embarcar em um helicóptero russo. Isso porque um de seus sobrenomes é Yanequiew, que parece derivar do soviético. A jornalista o mencionou, e feito, conseguiu adentrar no território proibido. E aasim, ela aponta, como a falta do contato direto atrapalha um correspondente. Dominar o idioma é fundamental. 

O “sequestro”

Iraque, a embaixada brasileira estavam tentando negociar a saída dos jornalistas brasileiros. No caso em questão, eram dois grupos de jornalistas em cada voô, e Mônica ficou no último. “Fui a embaixada publiquei minha última nota, sai e peguei um taxi”- na época, que não existia a facilidade da internet, os jornalistas tinham que relatar os acontecimentos pelos telefones das embaixadas. “Até o aeroporto era uma caminho muito simples”, disse Mônica. Mas ela percebeu que não o carro não estava no trajeto certo. A jornalista informou mais uma vez o endereço, e o motorista mostrou que havia se enganado, e continuou viagem dessa vez para o destino certo. Foi que pensou Mônica. Escurece, e o caminho começa a ficar estranho. Ela percebe que começam a passar por campos de treinamento. Então ela confirma de novo o endereço, tenta se comunicar com o motorista. Percebe que há algo de errado, e suplica ao motorista, ele não reage.“Para já o carro”, ela gritou ao homem. A reação dele foram gestos que mostravam ameaça a vida da jornalista. Confusa e com medo ela não sabia se era um sequestro ou um mal entendido, mas sabia que precisava sair dali. Depois de pensar em estratégias capciosas. Ela golpeou o motorista, e conseguir sair do automóvel. Até hoje não sabe do que se tratou esse episódio, se foi proposital, ou engano. 

A importância da imagem

“Entrar com câmera é diferente, a imagem é importante”. Até porque a imagem valida a fala, segundo a correspondente. Em um episódio, também no Oriente Médio, a imagem foi muito importante.  Havia uma alerta de duas bombas que iriam explodir. Mônica foi cobrir viu e relatou toda a cena, as duas bombas realmente explodiram. Mas posteriormente o governos notificou que havia apenas uma boma. Mas a jornalista lembrava que não tinha sido assim, e insistiu em sua versão. O cinegrafista que a acompanhava creditou o relato de Mônica já que gravou as duas bombas. “A imagem tem um peso”

Diferentes acessos na América Latina e no Oriente Médio

Mônica relata que é muito diferente cobrir América Latina e Oriente Médio. A diferença está no acesso ,segundo ela. Os contextos são diferentes .Alguns veículos que são reconhecidos pela América Latina, são praticamente inexistentes no Oriente Médio. “ Se você chega no Oriente Médio e fala que é do O Globo, ninguém se importa”, conta Mônica. É mais fácil ser creditada, e por consequência trabalhar como jornalista correspondente na América Latina. Além disso, “as regras são diferentes nas duas regiões”. Na América Latina não há complicações de documentos, a maioria dos países não pedem visto. O que já acontece no Oriente Médio. A jornalista, inclusive, já burlou uma dessas regras para cobrir um território, a Síria.” Quando acontecia a guerra de Iraque tentei entrar na Síria, fui até o Líbano fazer uma nota com um deputado, e comentei da minha vontade de ir a Síria. Ele disse que estava indo para Damasco (2 horas de carro). Expliquei para ele que não tinha o visto, e ele disse: não se preocupe entre no carro.” Conclusão da história: eles passaram a fronteira sem ninguém reparar pois estavam em uma carro de deputado. Essa foi uma situação bem perigosa e não teria acontecido na América Latina, já que não apresenta tais obstáculos. 

A mulher de mil e uma histórias fecha a conversa dizendo: “Acredito que temos que fazer o que gostamos. Eu gosto disso. Se pedissem para eu viajar amanhã para cobrir algo eu iria na hora”.

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