Saltear al contenido principal
Entre em contato: +55 11 95133-2600
«A Verdadeira A Argentina»: O Dia Da Independência Na Feira De Mataderos

«A verdadeira a Argentina»: o dia da independência na Feira de Mataderos

Bairro periférico de Buenos Aires celebra o feriado de 9 de julho com comidas e músicas tradicionais

MALU MÕES
MARCELO MARIANO
NICOLA FERREIRA
DE BUENOS AIRES

Feira de Mataderos é um dos locais escolhidos por argentinos para aproveitar feriados nacionais. Crédito: Marcelo Mariano

Inúmeras pessoas caminhavam para a Feira de Mataderos, evento que ocorre todos os domingos e em feriados nacionais. Neste 9 de julho, dia em que os argentinos celebram sua independência, a feira estava mais lotada que de costume, conta Rosa, 80, que preferiu não ter o sobrenome divulgado.

Músicas tradicionais da Argentina ditam o ritmo Feira de Mataderos. Crédito: Malu Mões

Imigrante italiana da década de 1950, a moradora de Mataderos é frequentadora assídua do evento. «Aqui é a verdadeira Argentina. Quem comemora é a classe trabalhadora e humilde.»

Mataderos é um bairro periférico da capital argentina. Historicamente fabril, a região conta com muitos trabalhadores e pessoas de classes mais baixas.

Enquanto isso, do outro lado da cidade, era realizado um desfile militar em Palermo, bairro nobre de Buenos Aires.  «Lá é para onde vão os turistas», afirma Rosa em referência ao desfile. Antes cívico-militar, a passeata sofreu mudanças e agora se apresentam apenas militares. «Tudo que tem a ver com militar as pessoas pensam em coisa ruim.»

 Rosa: «Quem comemora [na Feira de Mataderos] é a classe trabalhadora e humilde». Crédito: Malu Mões

O dia da independência começou com a notícia da morte do ex-presidente argentino Fernando de la Rúa, que governou o país de 1999 a 2001, quando teve que sair da Casa Rosada, a sede do governo local, de helicóptero em meio a manifestações na Plaza de Mayo.

O governo de de la Rúa foi marcado por uma forte crise econômica, que, segundo Rosa, “não tem nada a ver” com a atual. “Acho que agora está pior. A juventude não encontra emprego”, afirma. “Muita gente gasta dinheiro hoje [nas comemorações do dia da independência], mas não tem o que comer amanhã.”

A morte do ex-presidente, considerado impopular, não teve uma grande comoção ente os argentinos que saíram às ruas para aproveitar o feriado. Para Emiliano Fernández, 27, “o povo sentiu bem mais quando Néstor Kirchner morreu”.

Emiliano, Marianela e Pamela: primeira vez na Feira de Mataderos no dia da independência. Crédito: Malu Mões

Emiliano foi à Feira de Mataderos acompanhado da irmã, Marianela Fernández, 24, que diz não ter muitas memórias da época em que de la Rúa era presidente, e da amiga Pamela Picornell, 34. Os três vivem em Lugano, bairro próximo de Mataderos, e esta foi a primeira vez na feira no dia da independência —Emiliano e Pamela já haviam ido em dias regulares. 

“Viemos disfrutar especialmente a variedade gastronômica”, disseram. Mas, mesmo assim, não deixaram de dar pitacos sobre política e a morte de de la Rúa. “Ele é similar a Macri no sentindo de que ambos não conseguiam governar. Mas diria que o atual presidente é mais parecido com [Carlos] Menem [presidente da Argentina de 1989 a 1999] por conta dos aspectos liberais”, argumenta Pamela.

Na opinião de Emiliano, as crises de 2001 e de hoje não são comparáveis. Pamela, por sua vez, afirma que a atual afeta mais a classe média.

Visões diferentes dentro de casa

 Leandro e Flávia levaram a filha para conhecer a Feira de Mataderos. Crédito: Malu Mões

Leandro Calo e Flávia Montezantini são casados e resolveram ir à Feira de Mataderos, que já conheciam, no dia da independência para levar a filha e, além disso, comer empanadas. “Tudo é novo para ela”, diz Fernando. “Das outras vezes que viemos, havia menos gente.”

O casal, que vive em Barracas, diverge politicamente. “Ele é mais kirchnerista e eu sou mais macrista”, declara Flávia. Segundo ela, a Argentina atualmente está melhor do que 20 anos atrás, época em que de la Rúa governava.

Por outro lado, Leandro avalia que ambos os governos foram ruins e impopulares. Ele diz que de la Rúa era um “presidente que não acompanhava as coisas”. “Uma situação parecida com a de Macri”, opina.Apoiadores se emocionam em velório de de la Rúa

Maioria das pessoas que esperavam na fila para entrar no velório do ex-presidente Fernando de la Rúa era de idade avançada. Crédito: Malu Mões

O início do velório de de la Rúa estava marcado para começar às 16 horas no Congreso Nacional argentino. O atraso de quase uma hora para liberar a entrada não desanimou os que aguardavam na fila —alguns até com lágrimas nos olhos.

A maioria dos apoiadores do ex-presidente que queriam vê-lo pela última vez era de idade avançada. Agustin Villafane parecia ser um dos mais novos. Ele, que tinha 20 anos em 1999, diz que seu primeiro voto foi em de la Rúa.

“De la Rúa foi o meu presidente. Votei nele e o apoiei até o final, mas admito que foi uma decepção. Podem falar o que quiserem, menos que não era um presidente centrado, com retidão”, afirma. 

Mais à frente na fila, Juan Malondra diz que de la Rúa deveria ser mais valorizado. De acordo com ele, os argentinos não dão valor às boas pessoas e o ex-presidente, para este apoiador, foi o melhor governador de Buenos Aires e, além disso, o senador que mais apresentou projetos.

Juan diz que de la Rúa são parecidos “em decência”. “Votei no de la Rúa e votaria de novo, assim como Macri, em quem votei nas últimas eleições e votarei nas próximas.”   

Beatriz Anzardi é natural da província de Santa Fé e está em Buenos Aires a passeio. Aproveitou o momento para presenciar o velório de de la Rúa porque gosta de “acompanhar a história política enquanto ela acontece”. 

Mesmo não tendo votado em de la Rúa, Beatriz considera o ex-presidente uma pessoa honesta e que fez um bom governo na medida do possível. “Foi um bom governador de Buenos Aires, assim como Macri. Só não conseguiu governar o país melhor porque não tinha apoio suficiente.”

Malu Mões, Marcelo Mariano e Nicola Ferreira são jornalistas e participaram do “Jornalismo sem Fronteiras”, que leva jornalistas e estudantes de comunicação e áreas correlatas a Buenos Aires para um mergulho de 10 dias no trabalho de correspondente internacional.

Deja un comentario

Tu dirección de correo electrónico no será publicada. Los campos obligatorios están marcados con *