LUIZA CALLADO, DE BRASÍLIA

Desde 2013 para os dias atuais, o Brasil enfrenta uma crise social e política, que parece estar longe de ser resolvida. Esse momento de instabilidade não está só no Congresso Nacional, palco das reformas e votações, ou no Palácio do Planalto, vai muito mais além de Brasília.
Os estados brasileiros não estão dando conta de pagar suas contas e servidores, as universidades estaduais e federais lutam constantemente para se manterem em pé, hospitais fecham por falta de remédio e de profissionais. Mas… o povo brasileiro ama uma festa, não é mesmo? E, ainda assim, foi sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016, eventos que renderam um rombo nos gasto públicos.

Você pode estar se perguntando: onde está a mídia nesse caos todo? No seu lugar, contando a realidade. A crise sem fim, também respingou para o lado dos meios de comunicação e colocou em discussão o papel do jornalismo no país. É hora então, de lembrar a atividade máxima do jornalismo: não se briga com a notícia, apenas conte-a.

“Primeiro a gente conta a realidade, contando a realidade você consegue chegar ao poder público”, explica o jornalista Murilo Salviano, em conversa com os participantes do III Jornalismo e Poder, em Brasília. Isso prova que os jornalistas vêm trabalhando, do jeito que podem, para dar aos cidadãos a visão mais abrangente da realidade, porque esse é o papel do profissional.

“Passar o clima daquele lugar, daquele ambiente, é algo essencial para qualquer meio de comunicação. É necessário mostrar o caos”, explica o jornalista. Se há delações, manifestações populares ou votações, cabe ao jornalismo levar isso à sociedade. Mas, também cabe ao comunicador passar a notícia à população de um modo ético e, sempre, pensar se o que será dito não vai causar danos na vida da sua fonte.

Como o jornalismo deixa o seu profissional exposto, o torna uma pessoa pública, sujeito a receber críticas e elogios de qualquer meio. É aí que entra outra questão da profissão: a vaidade. Vale lembrar que o objeto da notícia não é o jornalista, então Murilo Salviano aconselha “independente de onde esteja, faça o seu trabalho por verdade. Não aja por vaidade”.

Murilo Salviano Foto: Jornalismo sem Fronteiras
Murilo Salviano
Foto: Jornalismo sem Fronteiras

Murilo Salviano é graduado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e na Université de Rennes I (DUT), na França. Já viajou à Amazônia a convite do Centro de Comunicação Social do Exército, em 2011. A experiência rendeu uma reportagem para o jornal Campus.

Entre os estágios na área televisiva, trabalhou na TV Globo (em Brasília e em Londres), TV Brasil e TV Brasília/Redetv. Também estagiou na Radio France Internationale (RFI), em Paris. Atualmente, trabalha na GloboNews, em Brasília (DF).

É autor do projeto “Até breve, Haiti – A história de haitianos traficados ao Brasil”: http://www.atebrevehaiti.com/. E participou do documentário: “Morte e Vida Severina” http://especial.g1.globo.com/globo-news/morte-e-vida-severina/, que rendeu o patrocínio dos estudos de uma personagem.

Site do projeto “Até Breve, Haiti”
Site do projeto “Até Breve, Haiti”

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