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Sábado – 20 de julho

Último dia completo em Buenos Aires, o sábado já começou com cheiro de nostalgia antecipada. O amanhecer veio junto ao friozinho que dá cara à cidade e que nos cativou durante toda a semana. Porém, ficamos sabendo que um fato havia mudado a rotina do lugar: na noite anterior, umas pessoas saíram de uma balada e, por motivos ainda espúrios, decidiram atacar a unidade de luz do bairro, a Recoleta. Moral da história: faltou luz durante a madrugada e acordamos sem água, pois a bomba do hotel não funcionava sem força. Vale lembrar que no dia anterior, por causa da manutenção, a maioria de nós acabou sem tomar banho. Praticamente um complô contra a higiene nossa de cada dia. Mas não há o que possa ser feito. Apenas ressaltar o quanto irresponsável e perigoso foi esse ato. Pessoas que dependem da água e da luz poderiam ter sido prejudicadas – se é que não foram. Nós, que já sofríamos com os problemas de internet, passamos maus bocados. Só não mais que o próprio hotel – pela manhã, dezenas de hóspedes iam reclamar na recepção.

Novamente, cada um cuidava das suas produções e não conseguiremos retratar aqui o que todos fizeram…

Publicando de verdade!

Nesse interim, tomávamos café-da-manhã e a Cláudia nos encontrou. O Clésio e a Deborah contaram as aventuras e progressos do dia anterior, na caravana do Papa e, empolgada como sempre, ela teve várias ideias na mesma hora. Se resumiu a pedir que eles esperassem e subiu para o quarto rapidamente. Ficamos ansiosos. Qual seria a ideia que a fez sair assim, tão rápido? Quando ela, finalmente, voltou, a ansiedade dela passou para nós quando ela contou nossa missão: ela pegou o contato do pessoal do site da Folha de S. Paulo e nos disse que, se nossas matérias da Caravana da Juventude ficassem boas, ela tentaria vender para eles. Entretanto, por ser um assunto quente, tínhamos que mandar para ontem. Bastou isso para que terminássemos abruptamente nosso café.

Era hora de voltar ao trabalho, agora com essa mega responsabilidade. Nem mesmo o mundo caindo na recepção, por causa dos hóspedes reclamando, nos atrapalhava. A sala de computadores, que serviu de ilha de edição na noite passada, era um dos únicos lugares do hotel que tinha luz. Não perdemos tempo e plugamos nosso computador lá. Porém, um funcionário disse que não podíamos ficar lá com notebook, tínhamos que sair. Foi até irônico ele se importar com a gente entre tantos problemas acontecendo. Mas eram as regras, então saímos. Ele disse para ficarmos nas mesas do restaurante. Porém, enquanto nosso tempo de enviar a matéria para a Folha se esgotava, vimos que lá não havia energia. Bateu o desespero! Acabamos num sofá do lobby.

Naquele momento deu para sentir na pele o que o Clóvis Rossi sentiu quando não podia mandar sua coluna para o jornal nos dias anteriores. No nosso caso, havia um complicador: éramos meros estudantes que prometeram enviar o conteúdo. Seria um papelão deixá-los na mão e perderíamos uma baita chance! Enquanto pensávamos nisso e trabalhávamos o mais rápido possível o Clóvis desceu para ver como estavam as reportagens. Surpreendeu como ele apostou na gente e, de quebra, ainda aumentou ainda mais nossa pressão. Um profissional daquela magnitude havia criado uma expectativa no nosso trabalho. Não dava para frustrá-lo. Contudo, nem o clima de causar angústia, até em quem só observava a cena, fez com que o Clóvis deixasse de brincar. Esporadicamente, ele ia lá e fazia uma “pressão”. Apesar de estar acostumado com o ritmo frenético do mercado, ele pegava leve e percebia nossa preocupação – que em certos momentos até se confundia com afobamento. Sentimento esse que se mantinha desde as 10h, quando começamos nossa corrida contra o tempo.

Para otimizar o trabalho, o Clésio e a Deborah se dividiram: enquanto ela escolhia palavra por palavra para fazer o texto perfeito – ao menos sob nossa perspectiva -, ele arrastava clipes de lá para cá na timeline, escolhia a melhor imagem e o tempo que ela devia ficar para finalizar a matéria em vídeo. Como tínhamos apenas equipamentos comuns (câmera de mão e um celular para gravar o áudio), foi muito difícil editar. Entrevistas incríveis foram perdidas pois a luz (geralmente de outras câmeras de TVs, que estavam por perto) que iluminava o entrevistado simplesmente se apagavam. Por não ter um microfone, tivemos que gravar o áudio com o celular e depois sincronizar a fala de cada um com o vídeo, num trabalho tão minucioso quanto de um lapidador. E o tempo passando… 11h, 12h, 13h… a Cláudia e o Clóvis, que esperavam por ali para que terminássemos, não aguentaram a fome e foram almoçar. Conseguimos enviar o texto, mas o imbróglio do vídeo seguia. Até o computador já se revoltava e começava a travar – não era para menos, depois de trabalhar oito das últimas 11 horas, processando vídeos pesados. Quando já passava das 14h, finalmente conseguimos terminar o vídeo. Demorou, mas ficou exatamente como queríamos, dentro das nossas limitações, claro. O orgulho fazia com que sentíssemos vontade de assisti-lo uma vez atrás da outra, mas não havia tempo. Tínhamos que conseguir colocá-lo no Youtube para mandar para a Folha, antes que ficasse obsoleto. Porém, se o Clóvis teve tantos problemas com a internet para enviar um texto de poucos kb, imagine a gente com um vídeo de mais de 500 Megabites.

A matéria publicada na Folha

Enquanto o Clésio brigava para colocar o video no YouTube, a Deborah, a Natália e a Claudia checavam a cada 2 segundos para ver se a matéria tinha sido publicada. Quando finalmente vimos o texto no site da Folha, foi indescritível! Tantas aventuras, horas sem dormir, desafíos, superação! Foi incrível! Ficamos com uma sensação de que nós PODEMOS. Que temos potencial. Que não importa que ainda somos tão jovens e inexperientes. Somos capazes!

Compartilhamos aqui nossos “filhos”!

 

Amanhã será o último dia. Dia de balanço. Aguardem.

 

 

 

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