A cobertura de mortes, prisões, assassinatos nas favelas e apreensões de entorpecentes está longe de ser unanimidade entre os que ingressam no ofício do jornalismo. Mas a bem da verdade é que o jornalismo policial nos agraciou com belìssimos relatos de gente como Caco Barcelos, Eliane Brum, Marcos Zanfra e Truman Capote —sim, A Sangue Frio é jornalismo policial raiz. E foi assim, no melhor estilo porta de cadeia, que Sayonara abriu os trabalhos do VII Programa Jornalismo Sem Fronteiras em Buenos Aires. A notìcia de que uma Brasileira, de 19 anos,  morreu depois que algumas das 80 cápsulas de cocaína que ela havia ingerido se romperam em seu estômago, pescada no melhor estilo rádio escuta, não deixou dúvidas.

Antes mesmo do primeiro encontro oficial do grupo, marcado para a noite de terça-feira (4/7), Sayonara tomou um metro e um trem e desembarcou em Villa Devoto, em La Matanza, para descobrir os detalhes dessa história. “Eu vi a notícia no jornal local e na hora pensei em ir até lá. Uma das reportagens tinha o endereço, então eu fui”, contou. O corpo da mulher foi encontrado na rua e teria sido ªdesovadoª por duas pessoas em um carro.

Apesar de o crime ter ocorrido no domingo, ou seja, três dias depois do assunto vir à tona, ter ido à delegacia e conversado com a polícia local rendeu informações que ainda não foram publicadas por nenhum veículo brasileiro ou portenho. Sayonara conseguiu o nome da brasileira, da irmã e de onde ela vinha. “Ninguém publicou que ela era de Rondônia”, revelou Sayonara.

A pauta, um primeiro exercício do que os próximos dias poderão render, deverá ganhar outros contornos além da notìcia e aprofundar a questão do tráfico internacional de drogas que tem no Brasil e em muitos brasileiros um caminho até seu destino final.

O relato de Sayonara encheu os demais participantes do Programa de curiosidade e entusiasmo. Gabriel Bosa revelou que uma das suas propostas de pauta tem relação com o tráfico e uso de drogas na Argentina —mas claro que não será agora que vocês saberão do que se trata—, e prometeram trabalhar juntos nos próximos dias neste assunto.

O Jornalismo Sem Fronteiras segue até o próximo 14 de julho. com expectativa de muito mais emoções pela frente!

 

Diário Porteño – Fábio Bispo especial para Jornalismo Sem Fronteiras

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