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Muito além do cafezinho

 

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Ir aos cafés da capital argentina não é apenas um hábito, e sim um ritual para começar bem o dia.

Giovanna Maradei, Isabella Carvalho, Beatriz Campilongo

Protegido do friozinho da manhã, com cheiro doce no ar e os jornais do dia já separados. Assim é o café ideal, encontrado sem dificuldade pelas ruas de Buenos Aires, conhecida por suas inúmeras cafeterias que acolhem portenhos em busca de tranquilidade.

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De arquitetura clássica e charme europeu, muitos, ou melhor, 73 desses cafés são reconhecidos oficialmente como símbolos da cidade, compondo a lista dos notáveis, relação de estabelecimentos mais emblemáticos da cidade.

Entre os eleitos está, por exemplo, o tradicional e imponente café Tortoni. Citado por 10 em cada 10 portenhos quando o assunto é onde tomar um bom café, e por 12 em cada 10 guias de viagens quando se trata dos pontos turísticos que você não pode deixar de visitar.

Muito além da aparência e das resenhas, o hábito de ir ao café dos portenhos se torna ainda mais aparente quando saímos do centro e vamos aos cafés não tão notáveis assim. É o caso do café Esmeralda, frequentado pelos idosos do bairro de Belgrano.

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A fachada toda de vidro informa o nome e número do estabelecimento em um adesivo de letras douradas bastante rebuscado. Já do lado de dentro as vitrines da confeitaria  dividem espaço com mesas e cadeiras de madeira escura e estofados cor de vinho. Na parede, presas em um longo espelho que dá amplitude ao ambiente. Três luminárias de ferro dourado completam a decoração e dão um ar mais aconchegante ao tradicional café.

 

Um patrimônio portenho

 

“O café em Buenos Aires é uma instituição” diz Jorge Cardinale, portenho de 81 anos que há 10 vai todo o final de semana tomar seu cortado (café com leite) e ler o jornal do dia na confeitaria. Jorge não é o único que pensa assim. Em março deste ano o Ministério da Cultura entrou com um pedido na UNESCO para que o hábito de tomar café dos argentinos se torne patrimônio cultural imaterial da humanidade. O título já foi conquistado pelo tango e também pelo brasileiríssimo frevo.

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Patrícia Araújo, 45 anos, concorda com a iniciativa.“Esse hábito de tomar café pode até existir em outros países, mas aqui é algo muito forte, muito nosso, algo que não podemos abandonar”, diz a cliente assídua que todos os dias passa uma hora de sua manhã no café  Lo Tolva, localizado na região central da cidade.

Fundado há alguns anos, o estabelecimento recebe os mais diversos clientes, de jovens a idosos. As mesas de madeira e os sofás de couro tornam o ambiente aconchegante, com toque  moderno, composto também por tubos de grãos de café, que dão uma graça especial à decoração.

 

Sin café no hay mañana

 

O costume dos portenhos de ir habitualmente ao café tem de fato suas peculiaridades, que se tornam ainda mais evidentes quando saímos do centro e vamos aos cafés de bairro. Neles os clientes se sentam em busca de alguns momentos de tranquilidade, acompanhados de um expresso e deliciosos croissants doces, as medialunas. 

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“Eu creio que esse é o momento em que eles buscam sua paz interior”,  explica o gerente do café Esmeralda, que sem espanto fala de clientes que passam mais de uma hora sentados nas mesas das confeitarias e também daqueles que são chamados de habitués e chegam a ir ao café todos os dias da semana, de manhã, à tarde e à noite.

A importância do café não é apenas pela bebida, mas também pelo ritual. Ir ao estabelecimento, cumprimentar garçonetes e garçons, pegar o seu jornal e pedir “o de sempre” é rotina em centenas de cafés espalhados por Buenos Aires. “Já sei o que cada cliente pede todos os dias… Nem preciso anotar”, conta a garçonete do café Josephina’s, localizado em frente à Plazoleta Pedro Miguel Obligado, que fica no bairro da Recoleta. As árvores, a tranquilidade ao redor e a arquitetura europeia dão charme ao moderno estabelecimento.

 

Prazer em servir

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Daphne Ruiz, que vai ao “Josephina’s” há mais de sete anos, é recebida com simpatia pelas garçonetes e retribui o carinho. “Elas são amáveis e solícitas… Sabem atender e já as conheço”, explica. Todos os dias pega seu jornal, senta-se e coloca algumas notas sobre a mesa, mesmo sem ter feito o pedido. Já é o dinheiro da conta. Em cinco minutos um café, um bule com leite quente e um mini copo de água chegam sua mesa.

Não se trata de uma passadinha rápida entre o almoço e a volta ao trabalho. Aqui os garçons têm nome, mãe, pai e irmã conhecidos, os balcões dividem espaço com mesas que não raro ficam ocupadas mais de uma hora pela mesma pessoa e o cliente, apesar de encontrar um café fraco para certos paladares, desfruta todo dia de um momento que vai muito além do que é consumido.

Em Buenos Aires há cafés para todos os gostos. Alguns são pequenos, escondidos e pouco conhecidos. Outros  grandes, exuberantes e cheios de história, mas nenhum é “só” ou “ apenas” um café.

 

Esmeralda

Onde fica: Av. Juramento 3212

Sugestão: Um café – que virá acompanhado de um pão doce e uma água com gás

 

Josephina’s

Onde fica: Rua Guido 1534

Sugestão: Clássico – que virá com um café com leite, dois croissants doces e um suco de laranja

 

Lo Tolva

Onde fica: Avenida Santa Fé, 2602

Sugestão: Submarino

 

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