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Graciela Mochkofsky: a jornalista que encontrou nos livros um jeito de fazer as próprias matérias.

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Marina Costa

Com a colaboração de Lucas Xavier

 

Após lançar seu novo livro “Estação terminal: viajar e morrer como animais” na FLIP, a jornalista argentina participou na última segunda (3) de um encontro na Livraria Cultura no centro  do Rio de Janeiro sobre “Literatura e Jornalismo”. Ao lado dela estava o escritor e jornalista mexicano Juan Villoro e a mediadora Cristiane Costa, coordenadora do curso de Comunicação Social da UFRJ.


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O Jornalismo Argentino

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Graciela começou explicando a posição dos jornais na Argentina, famosos por criticarem fortemente o governo: “Em geral, eles acreditam que a única maneira de fazer jornalismo é criticar o governo, ser opositor ao poder.  Somente nos anos 90, que começaram a aparecer os jornais mais independentes, porque antes eram sempre com algum cunho político”, declarou ela.

A jornalista contou ainda os motivos que a levaram para um jornalismo mais literário: “ Na argentina, muitas vezes, a verdade não é contada, muitas coisas são passadas despercebidas, por isso é importante que haja um jornalismo de denuncia, mas não apenas denuncia, mas uma critica sobre a realidade. Não é certo um governo que censure a imprensa.  Na Argentina,  não encontra-se empresas que acreditem que fazer um jornalismo de qualidade, que conte a verdade valha a pena.”

O jornalista mexicano, Juan Villoro, completou a colega declarando que os jornais em seu país estão em crise, pois pertencem a plataformas de negócios. Muitos deles estão vinculados a grupos políticos, tornando sua independência algo difícil e arriscado.

 

O Livro

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Mochkofsky aproveitou a oportunidade para contar sobre o seu novo livro, que fala de um acidente de trem que matou mais de 50 pessoas e feriu quase 800 em Buenos Aires em 2012. Ela traça um painel por trás desse acidente que se relaciona muito com o Brasil como a privatização do transporte de massa, a corrupção que permeia todo esse universo das empresas de ônibus, o descaso com os mais pobres que acaba levando no final a mobilidade urbana ao caos. “Foi muito dramático”, afirmou categoricamente a jornalista e ainda completou: “O capitalismo está por trás da história, havendo uma grande carência no transporte publico argentino. É um tema historicamente muito importante.”

 

 

O novo jornalismo

Os convidados discutiram também sobre as novas formas de fazer jornalismo. Villoro falou sobre como as redes sociais são importantes nessa mudança: “Estamos num momento de intercâmbio para as redes sociais. Hoje temos a possibilidade de termos uma informação rapidamente,mas nem sempre é qualificada e verificada. Ao mesmo tempo, o efeito dela na comunicação humana se tornou estrondoso.”, afirma o mexicano. Na opinião de Juan, os novos jornalistas devem buscar uma plataforma onde se sintam bem e possam expressar aquilo que os interessam.

A argentina contou sua experiência comlogo-el-puercoespin1 o site “El Puerco Espin”: “Foi uma época muito intensa. Tivemos a oportunidade de termos nosso próprio meio, mas havia também uma responsabilidade nacional.” Ela discorreu ainda sobre a possibilidade de ter um público muito maior, mais diversificado e  com um alcance mundial. E também que a internet vem se tornando um meio liberal, onde pode se fazer um jornalismo mais amplo.

 

FLIP

A jornalista falou ainda sobre os dias na feira em Paraty: “Sempre quis vir à Flip, sabia que seria uma experiência extraordinária”, afirmou Graciela.  Para ela, o mais impressionante foi a quantidade de pessoas presentes, tanto dentro dos salões de palestra, quanto fora assistindo aos telões ao ar-livre. “Achei estranho tanta gente interessada em saber os feitos de um escritor, acho que nunca vi nada parecido na Argentina”, declarou.

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Perfil

Graciela-Mochkofsky-300x200A trajetória de Graciela Mochkofsky (Neuquén – Argentina, 1969), segundo um perfil de si mesma publicado na revista Piauí, reflete as ilusões perdidas do jornalismo no século 21. Biógrafa de Jacobo Timerman, um dos maiores jornalistas da Argentina, parecia ter o futuro assegurado como repórter e colunista de política em jornais como La Nación e Página/12. Com a crise do jornalismo, especialmente aguda em seu país, encontrou nos livros refúgio e espaço para reportagens independentes comoPecado original, sobre o embate entre o casal Kirchner e o Grupo Clarín. Estreia no Brasil com Estação terminal (e-galáxia), sobre o acidente de trem que matou mais de cinquenta pessoas em Buenos Aires, em 2012.

 

 

 

 

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