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Frio Atípico Atinge Continente Europeu

Frio atípico atinge continente europeu

Indícios de mudanças climáticas aumentam mundialmente e, na Europa, população passa a conviver, mais frequentemente, com cenários extremos.  

CLOVES TEODORICO NETO

DE MADRI

O início de 2017, na Europa, vem registrando recordes de temperaturas negativas. Uma onda de frio atinge países como Alemanha, Rússia, Itália e Polônia. As temperaturas mínimas nessas áreas chegaram a marcar –30ºC. Dezenas de pessoas morreram por conta das baixas temperaturas, acompanhadas de rajadas de vento e neve.

Neve em movimentada avenida de Istambul, na Turquia. (Crédito: Agência France-Press)

Neve em movimentada avenida de Istambul, na Turquia. (Crédito: Agência France-Press)

De acordo com o meteorologista César Ferreira Soares, da Climatempo Consultoria, uma das justificativas para o ano corrente ter iniciado com situações extremas na atmosfera é a atuação do fenômeno La Niña – evento natural que ocorre no Oceano Pacífico, resfriando suas águas e modificando a distribuição de calor e umidade em diferentes continentes.

“Temos que lembrar que estamos em um ano de La Niña fraco, que acaba influenciando na queda de temperatura na Europa. As pessoas estão desacostumadas com esse frio extremo, pois a última vez que tivemos a atuação desse sistema foi em 2010”, explica o meteorologista. Ainda segundo ele, a ação do La Niña não é uniforme, por isso o frio não é sentido por todos, já que em algumas regiões o frio também é seco, o que inibe a formação de neve.

A frequência de fenômenos meteorológicos extremos tem crescido consideravelmente nos últimos anos. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), as mudanças climáticas são responsáveis por esse cenário, agravado, principalmente, entre os anos de 2011 e 2015 em todo o globo terrestre.

O professor e consultor de empresas Danilo Soares Gomes, 32 anos de idade, está na França – uma das áreas mais afetadas pelo frio – realizando aperfeiçoamento profissional na Aliança Francesa. Segundo ele, a média de temperatura que tem sentido é de 2 graus, tendo a sensação térmica de 0ºC. “Chegamos a pegar 10 graus negativos na fronteira com a Suíça”, conta o brasileiro, que fica em Paris o até o final do mês de janeiro.

Área turística, na França, coberta por neve. (Crédito: Jhon Schults / Agência Reuters)

Área turística, na França, coberta por neve. (Crédito: Jhon Schults / Agência Reuters)

 

Danilo já havia passado outras temporadas no país e conta que, de fato, esse é o inverno mais rigoroso que presenciou. “Os moradores também reclamam. Ouvimos o tempo inteiro os parisienses falarem que é o maior frio dos últimos anos”, detalha o turista.

O brasileiro Danilo Soares já visitou a França outras vezes, mas nunca havia estado em Paris num período tão frio como atualmente. (Foto: Arquivo pessoal)

O brasileiro Danilo Soares já visitou a França outras vezes, mas nunca havia estado em Paris num período tão frio como atualmente. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Mesmo continente, diferentes condições de tempo

Na Espanha, o frio não é alcançado nas mesmas proporções dos países mais altos do continente. Desde o mês de dezembro se era esperado neve em cidades no entorno de Madrid, mas até o momento não houveram registros. A meteorologista Desireé Brandt, da Somar Meteorologia, informou que uma situação semelhante aconteceu no ano de 2010.

“É uma massa de ar frio do ártico que chegou até o centro da Europa. Quanto a falta de neve, existe o efeito gangorra. Como temos esse evento de frio e neve extremos, isso acaba diminuindo o potencial de instabilidade em outras áreas.  Assim como no Brasil, se está chovendo muito no Sul, não chvoe no Nordeste”, explica a especialista.

O primeiro mês do ano já é conhecido em todo continente europeu como um dos mais frios, mas em fevereiro é quando as médias históricas de temperatura são superadas com maior frequência. É neste período, também, que aumenta o número de casos de doenças respiratórias – médicos orientam a ingestão de mais água, alimentação balanceada, além do uso de roupas e acessórios com tecidos mais resistentes.

Apesar do tempo aberto e céu azul, janeiro tem registrado mínimas abaixo de zero em Madrid. (Foto: Cloves Teodorico/ Jornalismo Sem Fronteiras)

Apesar do tempo aberto e céu azul, janeiro tem registrado mínimas abaixo de zero em Madrid. (Foto: Cloves Teodorico/ Jornalismo Sem Fronteiras)

 

No último dia 15, por exemplo, moradores e turistas da capital espanhola tiveram que reforçar o agasalho para suportar o frio registrado. De acordo com a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET), a temperatura mínima, ao longo do dia, foi uma das mais baixas do mês de janeiro, marcando –2ºC.

Negócios afetados, turismo prejudicado

O renomado jornal El País publicou uma reportagem intitulada “O negócio do esqui se derrete”. O texto divulgado informa que com a falta de neve, o setor de esportes de inverno perdeu 1,8 milhões de usuários e que a opção de inúmeras empresas tem sido optar pela compra de neve artificial.

Foto 5 - Olívia Steed

Empresário do ramo do turismo sente efeitos dos extremos climáticos. (Foto: Olívia Steed/ Jornalismo Sem Fronteiras)

No mercado madrileno há 13 anos, a agência Geographica faz parte dessa estatística negativa. De acordo com o proprietário, Miguel Angel Nieto, 46 anos de idade, existem diversos tipos de esqui – que varia conforme o relevo de uma região –, mas todos, de alguma forma, são afetados.

“Das 30 estações de prática de esqui na Espanha, 15 não abriram desde a chegada da estação. Outras 15 iniciaram o funcionamento com 50% do esperado. Hoje, apenas 10 devem estar abertas. Acredito que o futuro será mesmo a neve artificial, não terá saída. Já estamos nessa situação, por conta do clima, há cerca de três anos, e vem sempre piorando”, contou Miguel Nieto.

Ainda segundo ele, a abertura da temporada de esportes de inverno da Espanha acontece sempre no mês de dezembro. Mas, este ano, foi cancelada pela falta da neve.

 

CLOVES TEODORICO NETO é jornalista e participa do “Jornalismo sem Fronteiras”, que leva jornalistas e estudantes de comunicação a Madri para um mergulho de 10 dias no trabalho de correspondente internacional.

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