Jornalistas freelance às vezes sofrem para vender seus artigos. E quando isso acontece, muitos deles concordam com condições de trabalho e taxas que nem sempre são favoráveis.

Em uma indústria onde a concorrência é tão difícil, criar boas condições de trabalho pode ser uma ousadia. Os editores acabarão recusando uma matéria porque é muito cara? E a sua reputação? Vão ter receio de trabalhar com um jornalista que tentou negociar o contrato?

A jornalista veterana Alison Motluk faz freelance há 18 anos para publicações como The Economist, The New Scientist e Globe and Mail. Através de colegas, sindicatos de jornalistas e experiência, ela aprendeu a importância de insistir em boas condições de trabalho.

“Não há nada vergonhoso em negociar sua taxa ou detalhes do contrato e na verdade, eu diria que provavelmente é até mesmo bom para o seu relacionamento com os editores”, diz ela. “Para que eles saibam que você sabe o seu valor […], acho que realmente melhora sua reputação com eles se é justo e razoável.”

Aqui estão alguns dos seus conselhos:

Leia seu contrato cuidadosamente

Jornalistas devem estar atentos ao que está em seu contrato. Algumas cláusulas podem valer a pena recusar ou melhorar, especialmente nos casos de matérias longas.

Motluk aconselha o jornalista a prestar atenção especial a várias cláusulas:

“Kill fees”ou taxas de cancelamento

As taxas de cancelamento eram geralmente utilizadas quando um jornalista tinha que parar de trabalhar em uma matéria no início do processo, por exemplo, porque a matéria era muito fraca. No entanto, agora acontece que os editores rejeitam uma matéria depois que a maioria ou todo o trabalho foi concluído.

Quando é uma reportagem longa, Motluk pede uma taxa de cancelamento de 75 por cento se a matéria completa como solicitada foi enviada e uma taxa de cancelamento de 100 por cento depois que a matéria foi editada.

“Eu incentivaria cada jornalista a pensar se alguém entrou em sua casa e renovou seu banheiro e então você decidiu que não gostou ou não precisou, daí você não pode pagar a pessoa”, diz ela. “Não há outra indústria onde você faça todo o trabalho perfeitamente e então [a pessoa que solicitou o trabalho] muda de opinião e não paga o valor total.”

Detalhes de pagamento

Motluk agora muda os detalhes do pagamento depois de ter, como muitos freelancers, esperado pelo dinheiro por meses ou às vezes nunca mesmo vê-lo.

Ela gosta de solicitar um prazo para o pagamento, como “no prazo de 30 dias após a conclusão”, por exemplo. Ultimamente, ela também pensou em adicionar uma linha dizendo “se você não pagar [no momento], cobraremos 5 por cento de juros por mês a partir do tempo devido”, para tornar o contrato mais claro.

Cláusula de indenização

Esta cláusula diz que, se alguém processar a publicação ou o jornalista, este teria que pagar o custo legal da publicação, independentemente de o tribunal ter encontrado qualquer irregularidade. Isso significa que o jornalista tem pouco controle sobre o que ele terá que pagar.

Motluk nunca assina quando tem essa cláusula. Nem todas as publicações a incluem no contrato. Alguns deixam claro que o jornalista só seria cobrado se um tribunal de justiça achasse que ele havia violado algo.

Adapte sua negociação ao tipo de matéria

Se a matéria é uma reportagem longa e pode haver preocupações legais, Motluk aconselha obter um contrato. Mas para um artigo curto, por exemplo, que você tem certeza de que vai ser publicado, a comunicação por e-mail pode ser suficiente.

Mantenha seus e-mails como registros

“Eu acho que e-mails para freelancers é a melhor coisa já inventada”, diz Motluk.

Ela os usa em caso de desacordo sobre algo já resolvido por e-mail. Ela também acompanha cada chamada telefônica com um e-mail resumindo o que foi dito para garantir ter um registro escrito.

Não hesite em pedir mais

Motluk agora sempre pede mais dinheiro e diz que, na metade das vezes, a publicação concorda.

Ela aconselha saber o valor mínimo que você está disposto a vender a matéria.

“[Publicações] geralmente tentam fazer uma oferta baixa, mas a pior coisa que vai acontecer é que vão oferecer o que ofereceram em primeiro lugar para que você ainda possa concordar”, diz ela.

Junte-se a um sindicato ou converse com seus colegas

Motluk começou sua carreira na Inglaterra, onde fazia parte da União Nacional de Jornalistas e onde seus colegas estavam muito conscientes de seus direitos. Ela é agora membro da Canadian Media Guilde acredita que os sindicatos são “fonte de uma grande quantidade de informações e suporte”.

Ela também compartilha e conversa com seus colegas sobre experiências complicadas ou bem-sucedidas.

No entanto, apesar de sua experiência, ela ainda se preocupa quando negocia um contrato.

“Toda vez que negocio, fico preocupada com isso, mas também acho que só vai piorar se não protegermos nossos direitos ou não lutarmos por boas taxas de cancelamento, por bons detalhes de pagamento”, diz ela. “Mas ainda acontece que as pessoas se irritam ou a negociação do contrato dura tanto tempo que eu perco dinheiro apenas negociando.”

Imagem principal sob licença CC no Flickr via 24oranges.nl

Fonte: IJNet

Por: Clothilde Goujard

Related Posts


Como fotojornalistas podem se proteger em ambientes de risco

Onde quer que trabalhem, fotojornalistas tendem a se destacar. O equipamento que usam faz com que sejam fáceis de detectar em uma multidão. As imagens que produzem também chamam atenção e, em alguns casos, podem ser um perigo. Centenas de profissionais da mídia são forçados a fugir de sua pátria para evitar intimidação, tortura ou prisão por […]

17.08.2017

Corridas de drones crescem na Argentina com melhores pilotos do mundo

País vizinho ao Brasil investe no esporte há dois anos e pode ganhar em breve um espaço físico para treinos.

14.08.2017

Comments


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *